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Governo chileno recua e regime de Pinochet volta a ser uma ditadura
27.01.2012 - 19h19 PÚBLICO
A ditadura de Pinochet deixou cerca de 3000 mortos e desaparecidos
A ditadura de Pinochet deixou cerca de 3000 mortos e desaparecidos

O Governo chileno tinha decidido substituir a expressão “ditadura” por “regime militar” para referir a era de Pinochet. Mas depois de uma acesa polémica acabou por recuar.

A decisão tinha sido aprovada pelo Conselho Nacional de Educação chileno e acabou por desencadear fortes críticas. A ideia era trocar a palavra “ditadura” por “regime militar” para referir o que aconteceu no Chile após o golpe militar de Augusto Pinochet, a 11 de Setembro de 1973. Seguiram-se 17 anos de repressão que deixaram cerca de 3000 mortos e desaparecidos, por isso foi tão mal recebida a ideia do Governo de Sebastián Piñera.

Nesta quinta-feira o Conselho Nacional de Educação voltou atrás e aprovou, por seis votos a favor e uma abstenção, a reintrodução da expressão ditadura nos manuais escolares destinados às crianças dos 6 aos 12 anos. A abstenção foi de Alfredo Ewing, um antigo general na reforma que integrou a polícia secreta de Pinochet.

O ministro da Educação, Harald Beyer, tinha justificado a decisão anterior ao defender que a palavra regime é “mais genérica”, mas não faltou quem considerasse a medida uma tentativa de branquear o passado recente do Chile. A palavra ditadura iria assim desaparecer dos manuais de Língua, História, Geografia ou Ciências Sociais do primeiro ao sexto ano de escolaridade.

Retirar a palavra ditadura dos manuais escolares de foi uma proposta mal recebida pela oposição de esquerda chilena, pelos grupos de defesa dos direitos humanos e até por membros da maioria de direita do Governo de Piñera.

Pinochet comandou o golpe militar que derrubou o Presidente Salvador Allende, que morreu durante o ataque ao Palácio de La Moneda a 11 Setembro de 1973. As autópsias efectuadas ao corpo concluíram que se suicidou. Allende tinha dito a familiares e apoiantes que recusria partir para o exílio.

Notícia actualizada às 20h45

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